22 de fevereiro de 2010

Das lembranças

Eu hoje tomei café naquela caneca que você mais gostava, e olha que nem gosto de café e sempre detestei aquela caneca monocromática. Eu posso estar enganada, mas, acho mesmo que senti o gosto da sua boca quando meus lábios tocaram a peça no exato lugar onde os seus tocavam.

Fui até a sala e me sentei no sofá bem próximo a janela, exatamente onde você se sentava, de manhã, para tomar seu café. Pousei minhas costas sobre a almofada, fechei os olhos, respirei fundo, e mais uma vez, as lembranças vieram, e por elas, eu fui tomada. Ali, sentada no lugar que era seu, senti seu cheiro invadir-me por inteiro, impregnar em meu corpo de tal forma que você parecia estar ali, ao meu lado, e que tinha me dado um daqueles abraços apertados que só você sabia dar.

Eu sorri. Me lembrei de que você estava sempre sorrindo. “Eu sou feliz, tenho mais é que sorrir mesmo. Eu tenho você, o que mais eu poderia querer?”, era o que você me dizia, arrancando do meu rosto insensível um sorriso meio torto. Você tinha sentimentos demais, intensidade demais, eu me via em você e isso me dava medo. Eu, que nunca soube direito como controlar tudo que habita em meu peito, estava diante de alguém que não via necessidade nenhuma de qualquer controle. Éramos tão diferentes, e ao mesmo tempo, exatamente iguais.

Abri os olhos, a realidade estava diante de mim e me mostrava que tudo não passara de pensamentos, lembranças soltas que de vez em quando afloram em minha mente. O café restou quase que totalmente, eu nunca gostei, não adianta. Ficou a saudade também, de um tempo em que nesta casa tomava-se café, e duas pessoas eram felizes e davam risada por coisas bobas, como se fossem duas crianças.

10 comentários:

Jacque disse...

É sempre bom lembrar das coisas boas. Pra isso serve o passado.

Um beijoooo!

Angel disse...

Foi isso que eu quis passar com este meu "devaneio", Jacque. Que nem sempre pensar no passado é algo ruim.

Abraços!

Thiago Gacciona disse...

Lembranças e mais lembranças!O que seriam de nossas vidas sem elas?
As coisas importantes e pelas quais realmente lembramos, sejam elas boas ou ruins, nos tornam o que somos hoje.
Beijos!

Angel disse...

Thiago, você citou algo muito verdadeiro. Somos o resultado do que vivemos. Lembrar pode ser doloroso, nostálgico, pode ser muito bom também. Este saudosismo, se exagerado, pode afetar o presente, mas se bem dosado, pode nos ajudar a entendê-lo e vivê-lo melhor.

Que bom receber sua visita!

Abraços.

Bia Monteiro disse...

Lembrar é reviver...
Lindo amigaa
Bela semana pra ti
Bjuu
=)

Mara disse...

Ainda bem que gostaste.
Também me identifiquei com o texto. Gosto muito da Margarida ^^

Angel disse...

Bia, tem coisas que valem a pena a gente lembrar!

Ótima semana para você também, Bia!!

Abraços.

Angel disse...

Oi, Mara. O texto é formidável! Me veio como inspiração imensa!

Que bom tê-la por aqui, volte mais vezes!

Abraços.

O Profeta disse...

Apetece-me pintar a musica
Que me afaga a alma, desperta os sentidos
Apetece-me pintar-te o sorriso
Unir-te aos meus anseios antigos

Uma tela, universo ávido de um deus
Será o pintor o criador da cor do dia?
Um salteador das sombras da noite?
Ou apenas um semeador da nostalgia


Um boa semana

Doce beijo

Angel disse...

Olá, caro Profeta! Obrigada pelo lindo poema!

Ótima semana para você também.

Abraços.

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