11 de fevereiro de 2010

Da necessidade de esquecer

Acordei com o clarear tímido do dia. Está frio lá fora, não tão frio como em nosso quarto, mas está. Me virei temendo a mesma visão que tive ao adormecer, aquela ausênsia triste, que se confirmou e sombria ameaçou meus olhos cansados. Ninguém ocupa mais aquele lado da cama, ele está exatamente como você o deixou meses atrás quando resolveu partir.

Em pensamento vi teu corpo ali, braços descobertos, peito a mostra, a me olhar como quem decora um importante texto. Seus olhos, por fim, encontravam os meus e um sorriso simples iluminava sua face. Como era bom te ver sorrindo, amor, era a minha promessa de um novo dia, difícil talvez, longo, quem sabe, mas ao seu lado, com certeza.

Ficávamos alguns segundos sem nada dizer, apenas nos olhando nos olhos na tentativa de que estes mostrassem todo o carinho que sentíamos. Sempre era você a romper o silêncio, com a voz ainda rouca, a dizer-me baixinho “Bom dia, meu amor”. Minha resposta vinha acompanhada de um beijo, e do aproximar dos nossos corpos até então separados. Era ali o meu refúgio, quando seus braços enlaçavam meu corpo e suas pernas pesavam sobre as minhas, era ali que eu me sentia segura, livre de qualquer sofrimento. O dia? As pessoas? O mundo lá fora sequer existia, éramos nós dois, somente, e o amor que nos unia.

Lembro do seu cheiro, do perfume em sua pele, lembro-me dos teus traços claros e imponentes, dos cabelos escuros e dos meus dedos passeando por eles. Me lembro de tudo como se fosse hoje. E sinto falta de quando éramos um do outro. Sinto falta de quando fazíamos o amor se tornar palavras e gestos, de um jeito tão perfeito que ninguém mais saberia fazer. Éramos isso, juntos éramos perfeitos, como eu não sei mais se um dia voltaremos a ser.

É o começo de mais um dia. Você se foi, a escolha foi sua e não posso mudar isso. Me levanto da cama, tomo meu banho e cubro o meu corpo, que na ausência de teus braços, usa das vestes para se aquecer. Sigo o dia deixando o tempo passar, rezando para que passe rápido o suficiente para me fazer logo te esquecer, para que a minha vida volte a ser só minha e para que as lembranças não mais me machuquem o peito a cada novo amanhecer.

11 comentários:

Sandra Ribeiro disse...

Minha querida, agradeço por se lembrar de mim, mas optei por não postar selos, acho que fica muito diferente da linha que procuro seguir no blog, minhas postagens são curtinhas e com o selo ficaria gigante, eu agradeço demais vou guardar o teu gesto aqui no meu coração...Muito obrigada!

Sandra Ribeiro disse...

Mais cedo ou mais tarde, o dia de ficarmos sós, chega para todos...

Angel disse...

Sandra, não se preocupe, o mais importante do selo era transmitir o carinho que tenho por vocês que estão sempre aqui comigo, postar é, sem querer desmerecê-lo, o de menos.

:D

E quanto ao texto, há o tempo de estar sozinha, assim como há o tempo de ter alguém. Se estar sozinho não fosse necessário, talvez já nasceríamos dois, com o nosso companheiro do lado. Cada fase é válida, não deixa de ser difícil, mas é.

Abraços!

Bia Monteiro disse...

Há um tempo pra cada coisa...
Tempo pra falar... tempo pra calar...
Tempo pra vir... tempo pra ir...
Num é fácil aceitar e mto menos entender...
Qdo alguém decide ir embora de nossas vidas...
Dói profundamente... ainda mais qdo esse alguem
Nos faz mto bem...
Lindo texto amigaaa...
Bjuu minha anja...
=)

Juliana. disse...

Saudades, lembranças que ficam em nós, estar ao lado de alguém é significante, embora precisamos encontrar uma pessoa que nos entenda e nos complete em sentidos e compreensão! Isso é realmente importante e quando encontramos e não estamos ao lado, a saudade machuca!
Que lindo Angel, lindas palavras!

Cadinho RoCo disse...

Quando desafiado o nosso eu precisa de enfrentar, buscar e alcançar a liberdade que todos nós fazemos por merecer possuir.
Cadinho RoCo

Angel disse...

Bia, talvez a dor de perder alguém seja a pior de todas. Supera muitas dores físicas e machuca tanto porque, as vezes, demora bem mais para passar.

Obrigada pelo carinho, querida Bia!!

Abraços.

Angel disse...

Juliana, essa é a chave, encontrar a pessoa certa. Não escolhemos quem amar, e pode ser que essa pessoa não seja a melhor para nós, e ai, acabar o quanto antes pode ser a melhor saída. Entender o fim dessa maneira pode ajudar muito!

Obrigada pelo carinho!

Abraços!

Angel disse...

Olá, meu caro! Que bom tê-lo por aqui... Suas palavras me fizeram pensar na força que descobrimos ter quando precisamos resurgir. Não somos de ninguém, é verdade, somos livres quando o amor maior é o que sentimos por nós mesmos.

Abraços, RoCo! Volte mais vezes.

rui disse...

Angel..boa noite queria comecar por dizer que amei seu texto.. escrito com palavras suaves sentidas e profundas..ouve uma que me marcou pela beleza que ela transmite...

"tomo meu banho e cubro o meu corpo, que na ausência de teus braços, usa das vestes para se aquecer"

Isto é amor..amor belo daquilo que se viveu e que se gostaria de voltar a viver..é sentir a falta de calor humano que no fundo todos nós nessecitamos...

ANGEL..esse amor deixou-lhe marcas mas marcas bonitas porque nota-se na escrita ..
quem sabe se a ausencia é nessessaria para reforcar esse vosso amor.. pelo que eu sinto no texto..existe uma porta que näo se fechou e a fechadura ainda é mesma....coragem e paciencia
... espere o reencontro...e nao fique triste..

obrigada pelo seu comentario ..e olhe passe sempre que o deseje tentarei receber voce sempre da melhor maneira que me for possivel..

um beijo.... bom carnaval e muita saude
Rui

Angel disse...

Rui, me emocionou seu comentário! Você leu as entrelinhas do meu texto, e disse coisas que me fizeram pensar. Tem uma alma sensível, exatamente como imaginei ao ler um pouco do seu blog.

Quanto ao amor, acho que cabe aqui uma frase muito conhecida, mais ou menos assim: Deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.

Volte mais vezes, Rui! E pode contar que estarei sempre te visitando.

Obrigada pelo carinho! Abraços.

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