29 de fevereiro de 2012

À vida

É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés de alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfa-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia,
A gente esquece sempre o bom de um dia.
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!

(Florbela Espanca)

3 comentários:

Suzana Martins disse...

Ah Florbela, me Espanca!!

Beijos linda

AquilesMarchel disse...

florbela é perfeita eua doro esse poema

Fábio Pedro Racoski disse...

Deliciosamente feminino e, também por isso, humano.

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